quinta-feira, 20 de julho de 2017

Cassavetes, John

John Cassavetes
Diretor americano (1929-1989)

Ator e diretor, "avô" dos cineastas americanos independentes, seu Sombras (Shadows, 1959) não foi o primeiro filme feito fora do sistema, mas se tornou marco de referência para gerações futuras. 

O árido drama doméstico Faces (1968), pago com recursos próprios, foi impactante: um ano de exibição em Nova Iorque e a indicação ao Oscar do desconhecido elenco. Apesar do roteiro, o "improvisador" Cassavetes preferia o estilo documental e era obcecado pela interação humana. Sua mulher e musa, Gena Rowlands, atuou em Assim Falou o Amor (Minnie and Moskowitz, 1971), Uma Mulher sob Influência (1974), Noite de Estreia (1977), Gloria (1980) e Amantes (1984). (1)

(1) BERGAN, Ronald. Guia Ilustrado Zahar Cinema. Tradução de Caroline Alfaro. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

Coppola, Francis Ford

Francis Ford Coppola
Diretor americano (1939-)

Sua carreira de altos e baixos não só se divide entre os extremos do cinema – épicos enormes e filmes intimistas –, como alterna megassucessos e fracassos. 

Coppola abriu caminho para outros diretores novatos, como Martin Scorsese, George Lucas e Steven Spielberg, que saíram de faculdades de cinema e invadiram Hollywood nos anos 70. Roteirista e diretor assistente de Roger Corman, dele recebeu a primeira direção: Demência 13 (1963). Agora Você É um Homem (1966), animada comédia sobre educação sexual, espelha um jovem de 26 anos dos anos 60. Em 1969 fundou seu estúdio, American Zoetrope, após a experiência negativa com o musical O Caminho do Arco-Íris (1968), de Warner Bros. Em A Conversação (1974), thriller pós-Watergate, um espião profissional (Gene Hackman) é espionado. O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972) fez de Coppola um dos mais valorizados, e sua continuação (1974), das poucas consideradas melhores que o original, ganhou seis Oscar. Apocalypse Now (1979), com "o horror, a loucura, a sensibilidade e o dilema moral da Guerra do Vietnã", custou 31 milhões de dólares, levou três anos e meio para ser concluído e cinco para se pagar. O fracasso de O Fundo do Coração (1982), romance musical de 27 milhões de dólares, obrigou Coppola a reduzir suas ambições e lançar dois filmes de adolescentes, Vidas sem Rumo (The Outsiders) e O Selvagem da Motocicleta (Rumble Fish), ambos de 1983, cujos elencos compõem a nova geração de atores: Seguiu-se Tucker, um Homem e seu Sonho (1988), e então Coppola voltou a seu meio com O Poderoso Chefão 3 (1990), concluindo a saga que começou como "mais um filme da máfia" e terminou como um dos maiores feitos do cinema americano pós-II Guerra Mundial. (1)

(1) BERGAN, Ronald. Guia Ilustrado Zahar Cinema. Tradução de Caroline Alfaro. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Um Senhor Estagiário

Título: Um Senhor Estagiário

Título Original: The Intern

Direção: Nancy Meyers

Elenco: Robert De Niro, Anne Hathaway, Rene Russo

Sinopse: Jules Ostin (Anne Hathaway) é a criadora de um bem-sucedido site de venda de roupas que, apesar de ter apenas 18 meses, já tem mais de duas centenas de funcionários. Ela leva uma vida bastante atarefada, devido às exigências do cargo e ao fato de gostar de manter contato com o público. Quando sua empresa inicia um projeto de contratar idosos como estagiários, em uma tentativa de colocá-los de volta à ativa, cabe a ela trabalhar com o viúvo Ben Whittaker (Robert De Niro). Aos 70 anos, Ben leva uma vida monótona e vê o estágio como uma oportunidade de se reinventar. Por mais que enfrente o inevitável choque de gerações, logo ele conquista os colegas de trabalho e se aproxima cada vez mais de Jules, que passa a vê-lo como um amigo.

Ano: 2015 / País: EUA / Duração: 121 minutos / Gênero: Comédia


Robert De Niro e Anne Hathaway em "Um Senhor Estagiário" (The Intern) (2015)

Lubitsch, Ernst

Ernst Lubitsch
Diretor alemão e americano (1892-1947)

Levou à América puritana os costumes e o hedonismo europeus. Seu estilo elegante, inteligente, incisivo e cínico, próprio aos temas que abordou, é dito "o toque de Lubitsch".

De seus filmes na Alemanha há vários romances históricos irônicos, como Madame DuBarry (1919), com Paola Negri. A carreira em Hollywood começou com brilhantes comédias mudas. O Leque de Lady Margarida (Lady Windermere's Fan, 1925) entre elas. Os musicais com Maurice Chavelier e Jeannete McDonald e as comédias Ladrão de Alcova (Trouble in Paradise, 1932) e Sócios no Amor (Design for Living, 1933) pressupõem público sofisticado, algo raro no cinema comercial. No fim dos anos 30, fez comédias românticas muito divertidas. Anjo (1937) com Marlene Dietrich; Ninotchka (1939), com Greta Garbo; e A Loja da Esquina (1940), com James Stewart. Durante a guerra, Lubitsch produziu uma das melhores comédias de Hollywood, Ser ou Não Ser (To Be or Not To Be, 1942), que brinca com a ocupação nazista da Polônia. (1)

(1) BERGAN, Ronald. Guia Ilustrado Zahar Cinema. Tradução de Caroline Alfaro. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Sapatinhos Vermelhos

Título: Sapatinhos Vermelhos

Título Original: The Red Shoes

Direção: Michael Powell, Emeric Pressburger

Elenco: Anton Walbrook, Moira Shearer, Marius Goring 

Sinopse: A jovem e promissora bailarina Victoria Page (Moira Shearer) é escolhida para estrelar uma nova montagem de “Sapatinhos Vermelhos” na companhia comandada por Boris Lermontov (Anton Walbrook). Lermontov, autoritário e exigente, demanda de seus bailarinos dedicação total e uma vida devotada à dança. E Victoria coloca sua grande chance em risco ao se apaixonar pelo compositor Julian Craster (Marius Goring).

Ano: 1948 / País: Reino Unido / Duração: 133 minutos / Gênero: Musical, Drama, Romance


Robert Helpmann, Léonide Massine, Moira Shearer, and Ludmilla Tchérina em "Sapatinhos Vermelhos" (The Red Shoes) (1948)

terça-feira, 11 de julho de 2017

Buñuel, Luís

Luís Buñuel
Diretor espanhol (1900-1983)

Nascido com o século XX, nunca abriu mão de suas ideias e se estabeleceu como um dos diretores cômicos mais mordazes e subversivos. 

Reagindo à família burguesa e à escola jesuíta, Buñuel tornou-se fortemente anticlasse média e anticlerical. 

Seus primeiros filmes, Um Cão Andaluz (Un Chian Andalou, 1928) e A Idade de Ouro (L'Age d'Or, 1930), influenciados pelo Manifesto Surrealista de André Breton, contêm temas retomados adiante: catolicismo, burguesia e racionalidade. Depois que Terra sem Pão (Las Hurdes, 1932), documentário sobre a pobreza rural e a riqueza da Igreja, foi banido da Espanha, Buñuel ficou 15 anos sem filmar. 

Em 1947 mudou-se para o México, onde fez Os Esquecidos (1950); O Alucinado (Él, 1952), Robinson Crusoé (1952), invertendo a mensagem cristã de Daniel Defoe; e Escravos do Rancor (Abismos de Pasión, 1953). Volta à Espanha 29 anos depois e faz Viridiana (1961), comédia mordaz sobre a mentalidade e os rituais católicos, que foi banida – o sucesso da crítica, porém, pôs Buñuel no centro do cinema mundial. O Anjo Exterminador (1962), feito no México, é uma parábola: uma suntuosa festa da qual é fisicamente impossível sair, tal como em O Discreto Charme da Burguesia (1972), aristocratas não conseguem comida. Magníficas produções francesas são Diários de uma Camareira (1964), leitura cínica do romance novecentista de Octave Mirbeau; e o sagaz, erótico e subversivo, A Bela da Tarde (Belle de Jour, 1967) (1)

(1) BERGAN, Ronald. Guia Ilustrado Zahar Cinema. Tradução de Caroline Alfaro. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

Um Pequeno Erro

Título: Um Pequeno Erro

Título Original: Margin for Error

Direção: Otto Preminger

Elenco: Joan Bennett, Milton Berle, Otto Preminger, Carl Esmond, Howard Freeman

Sinopse: Em Nova York, 1940, um policial judeu tem a missão de proteger o consulado alemão nazista na cidade. Mas o lugar é dirigido por pessoas desonestas que desviam o dinheiro do governo.

Ano: 1943 / País: EUA / Duração: 74 minutos / Gênero: Comédia, Drama


Joan Bennett e Otto Preminger em "Um Pequeno Erro" (Margin for Error) (1943)

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Devagar, não Corra

Título: Devagar, não Corra

Título Original: Walk, Don't Run

Direção: Charles Walters

Elenco: Cary Grant,  Jim Hutton, Samantha Eggar

Sinopse: Quando o industrial inglês, Sir William Rutland (Cary Grant), chega a Tóquio para desenvolver uma série de negócios, a afluência de turistas para os Jogos Olímpicos impossibilitam-no de encontrar alojamento. Rutland propõe-se então dividir um apartamento por uns dias com a bela Christine Easton (Samantha Eggar). Mas não fica por aí, para aumentar a confusão, convida também Steve Davis (Jim Hutton), membro da equipa olímpica, para partilhar o apartamento. Três é definitivamente gente a mais, o que se agrava quando Rutland faz de cupido entre Christine e Steve - para surpresa do noivo dela. Será que Rutland consegue conduzir os noivos ao altar? Só se for capaz de resolver os inúmeros obstáculos hilariantes que se lhe atravessam no caminho!

Ano: 1966 / País: EUA / Duração: 114 minutos / Gênero: Comédia, Romance


Jim Hutton, Cary Grant e Samantha Eggar em "Devagar, Não Corra" (Walk, Don't Run) (1966)

Lean, David

David Lean 
Diretor britânico (1908-1991)

Após filme esplêndido nos anos 40 representando o melhor cinema britânico, dirigiu cinco megasucessos mundiais que associaram seu nome a superproduções. 

Com Noel Coward, Lean co-dirigiu seu primeiro filme, Nosso Barco, Nossa Alma (In Which We Serve, 1942) e mais três títulos: This Happy Breed (1944), saga da valente classe média-baixa inglesa; Uma Mulher do Outro Mundo (Blithe Spirit, 1945) engenhosa adaptação de farsa sobrenatural; e Desencanto (Brief Encounter, 1945), sobre peça de Coward, seu melhor filme, com eloquente combinação de mundano e romântico, equilíbrio de narração apaixonada e diálogos soltos, brilhantes através de Trevor Howard e Celia Johnson, além de fluidez de filmagem. 

As grandes produções A Ponte do Rio Kwai (1957), Lawrence da Arábia (1962), Doutor Jivago (1965), A Filha de Ryan (1970) e Passagem para a Índia (1984) – ganharam juntas 23 Oscar. Nos 27 anos seguintes Lean fez apenas cinco filmes. (1)

(1) BERGAN, Ronald. Guia Ilustrado Zahar Cinema. Tradução de Caroline Alfaro. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.

Powel, Michael e Pressburger, Emeric

Michael Powel e Emeric Pressburger
Diretores britânicos: Powel (1905-1990) e Pressburger (1902-1988)

Suas fantasias excêntricas, extravagantes e inteligentes contrastam com o realismo típico do cinema inglês do período. 

Em 1939, Powel (diretor) colaborou com Pressburger (roteirista) pela primeira vez em The Spy in Black, iniciando parceria das mais criativas do cinema, trabalho tão integrado, que, apesar de Pressburger escrever e Powel dirigir, de 1939 a 56 usaram o inusitado crédito "Produzido, escrito e dirigido por Michael Powel e Emeric Pressburger". Há um amor místico pela Inglaterra em A Canterbury Tale (1944) e pela Escócia em Sei Onde Fica o Paraíso (I Know Where I'm Going, 1945); patriotismo e coragem britânicos em E Um Avião não Regressou (One of Our Aircraft is Missing, 1942) e The Small Black Room (1948). Contudo, os personagens mais envolventes são alemães em The Spy in Black (Conrad Veidt) e A Batalha do Rio da Prata (1956, Peter Finch); o mais controverso, Coronel Blimp, Vida e Morte (1943, Anton Walbrook), Winston Churchill tentou banir durante a guerra por "ridicularizar o exército". 

Neste Mundo e no Outro (1946), Os Sapatinhos Vermelhos (1948), The Tales of Hoffman (1951) e Oh, Rosalinda! (1955) aproximam-se dos musicais de Vincent Minnelli, por sua vez influenciados pelo design europeu.

A dupla desfez-se após Perigo nas Sombras (1956) e Powel, sozinho, não obteve sucesso igual. Foi redescoberto nos anos 70 por Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, com quem desenvolveu projetos. Em 1981 foi nomeado conselheiro do estúdio Zoetrope, de Coppola, e em 1984 casou-se com a editora de Scorsese, Thelma Shoonmaker. (1)

(1) BERGAN, Ronald. Guia Ilustrado Zahar Cinema. Tradução de Caroline Alfaro. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.